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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Aos poucos.




Aos poucos as palavras vão achando sentido, pra sentimentos tão sem sentido.
Vão surgindo com mais facilidade, se encaixando em situações complicadas e nos obrigando a ser, nós.
Pois vão saindo de nós.

Aos poucos, o gosto do primeiro beijo ao portão
vai se misturando a muitos outros.
Vai deixando de ser o melhor e passando a ser único.
Vai deixar de ser gosto para ser saudade.

Aos poucos, a nossa música preferida..
vai se confundir com os anúncios do metrô... com as inúmeras chamadas de celular. Com o som do despertador.
Vai deixar de ser preferida para ser lembrança.

Aos poucos, os sonhos passam a ser do nosso tempo de criança. Do tempo em que o menino do sorriso bonito, era o príncipe encantado. Do tempo em que a curiosidade de saber como é amar... era necessário.
Vão passar a ser desejos, metas e objetivos.
Vão sumindo de nós.

Aos poucos o melhor do poema vai deixando de ser melhor.
Vai se confundindo as regras, a exigência do leitor.
Vai deixando de ser a carta escondida no fundo do armário.
Vai passando a ser a lembrança de ainda te ter ao menos, aqui...
Nos poucos pedaços de mim.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Te entrego, de mim


Te entrego palavras molhadas pela vida.
Te entrego meu peito,
guardado em linhas sofridas,
amarguradas pelo arrependimento da ausência e do silêncio.

Te entrego a promessa da dedicação infinita,
da tentativa de dizer em qualquer linha
que te amo.
Te entrego a prova de amar-te. Os sonhos. As noites em que chorei. Os dias em que lembrei. Os planos que quebrei.
Te entrego meu pesar,
de não ter te causado sorrisos.
Te entrego a minha partida.

Te entrego meu amor, quem já fui um dia,
a lembrança mais bonita que mora em meus olhos.
A vontade imensa que guardei por teu perdão.
Te entrego o amor de quem ama
e a felicidade de quem já soube como é ser amada um dia.

Te entrego a lembrança e o silêncio da noite mal dormida.
A noite em que meus olhos descobriram que te amavam demais
e não quiseram se fechar
e sonharam te tocar pra sempre.

Te entrego, amor, de mim.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Venda-me sonhos.



Eu estava sentada, acolhida em meus pensamentos.
Respirando fundo e aproveitando todos os batimentos.
Então ele chegou, elogiou meu perfume e sentou-se ao lado.
Me olhava nos olhos e escondia os sorrisos no canto da boca.
Calou-se por minutos, os mais longos. Respirou leve...
E então começou a me vender sonhos...

Eram tranqüilos, ora alegres, amorosos... Mas todos me faziam chorar.
Eram minhas risadas, minhas lágrimas, meu amor...
Eram meus sonhos... me fazendo novamente sonhar.

Olhos fechados para a imensidão do mar, o vento soprava em meus ouvidos
assim como o vendedor de sonhos.
Eu podia sentir suas mãos passeando no ar, desenhando meus sonhos.
Podia sentir seus olhos chorando as minhas dores,
e seus sorrisos brotando do canto da boca, rindo os nossos risos.
e seu coração disparando com o nosso amor.

Ele me vendeu sonhos.
E eu comprei todos os seus...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Foi como sol irradiando a sala.


Ele era o mais discreto dos caras, e o que mais se fazia parecer.
Amoroso, sorridente. Contagiante, inteligente.
Os olhos transmitiam tudo o que poderíamos entender.
Suas mãos mostravam todo o talento, apesar do temor constante nas pernas em caminhar rápido demais. Mas acredito que seu coração sobrecarregava os pés.
Seu coração era grande, e tão, que todos podiam ver.
Altivo, descontraído. Humano, sujeito.
A voz pairava com louvor dentre a roda de amigos.
Seu perfume preenchiam os abraços apertados.
Ele vivia a constância da felicidade, recheada de fatos dolorosos que davam todo o sabor da vida apesar do gosto amargo das lágrimas.
Ele era demais pra mim.
E ele entendia isso.

Resolvemos nos beijar.
E não bastou um beijo pra entendermos o que era parecido com amor.
Eram nuvens de avelã.. Era seda cobrindo o medo de sentir saudade.
Eram pingos de chocolate. Era o inexplicável se explicando em segundos que nos adormeciam.
E foi só com o salgado gosto chegando aos lábios, que podemos entender.
Mas não era triste a solidão.
Olhamos ao lado e sentado junto a nós estava sempre o amor.
Cantarolando os sorrisos e tristezas que vivemos.
Era a vida nos soprando o viver.

Resolvemos dar as mãos.
E bastou alguns passos para entendermos como caminhar juntos.
Ele enrolava meus cabelos e soltava risadas.
Todos poderiam olhar, éramos alegres, como a cantoria de pássaros voando pra casa.
Mas o tempo não demorava mais a passar.
E nos faziam encurtar os passos, e alongar os caminhos.
Era o futuro aplicando o famoso destino.

Resolvemos sonhar.
E o sono nos pegou no meio de um sonho.
E bastou acordarmos.

Ele era demais pra mim.
E eu nunca entendi isso.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Não é.

Não é romântico dizer, te amo.
Nem tão pouco beijar teus pés.
Criar-te uma poesia.

O romantismo está no nosso não querer amar, o amado.
No renegar dos sonhos, sonhados.
Na tentativa de impedir o destino, destinado.

Está no sorriso dos olhos.
No apressar das batidas involuntárias.
Na resignação do aparto...

O romantismo está na loucura de aceitar que te amo.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Foi por ela..


Não foi o corpo de linhas marcadas que me chamou atenção.
Nem seus lábios rosados, nem seus cabelos compridos e dourados.

Foi a maneira lenta de fechar e abrir os olhos, acompanhado de um sorriso no canto da boca.

Foram os dedos delicados abaixo do meu queixo,
o seu abraço quente, e um beijo na nuca.
E o carinho calado e abafado pelos pensamentos.

Foi o acordar, não tendo dormido.
Foi achar diferente algo natural.
Foi me apaixonar pela normalidade de amá-la.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Queria poder não querer


Queria um sonar.
Pra saber onde te assombrar.
Mesmo fora do nosso mar.

Queria estar mesmo na ausência,
Queria soprar ventos bons,
queria ser a necessidade.. nos dias de chuva.
E o essencial nos dias de sol.

Queria ser tua palavra.
Queria voltar a ser tua
ao sonhar.

Carina Camila