segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Urbana, vulcão, sombras e sonetos


,Cidade fincada no sopé de um vulcão extinto.
Montanha solitária, abandonada no centro exato de um grande planalto.
[A baixada é ,na verdade, mais alta que a antiga Guanabara].
Ali crescemos, protegidos pela sombra fresquinha, pelo cheiro de mato
Ali a cidade cresceu...Talharam ruas, estradas de ferro, de terra
Lojas, casas, pessoas...

Falo isso, porque, sei lá... Andando aqui, as 00:00 horas
A avenida tá escura...O viaduto é logo alí...
Não tenho medo, não na sombra do vulcão!
São só homens e aço...
Isso não quebra o espírito de ninguém.
Um cigarro, acendo...Baforada...
Luzes no céu, homens na terra...Abordam-me
- Fogo?
- "táqui", respondo...
sigo...

Crescemos protegidos pela imensa sombra, e pelas lendas dos vales e cachoeiras
[A luz de um farol me cega...- Na escuridão, a luz me cega...Penso...Dou risada]
Penso um soneto...Uma rima qualquer..
O por-do-sol de lá é bonito... Os fogos me assustam...
Não tenho medo, mas ainda me assusto

Ando, reclamo, penso nas coisas que vi e vivi...Coisas idiotas, pequenos fatos, aquelas pequenas misérias e glórias cotidianas que realmente constroem nosso caráter...
Fico feliz por tudo estar como está... Fico feliz por ter passado as últimas 24 horas na sombra daquele vulcão... Na sombra daquela menina, que nem sei direito quem é pra te ser sincero...
Sei que escolhemos um ao outro para sermos irmãos...
Fico feliz por brigar, discutir, fazer as pazes, falar, falar e falar...
Besteira qualquer...

Ah, saco... Sentimentalismo barato...Gargalho,
Sigo...
À passarela, fico triste... A sombra some, mas a imagem fica.... A sombra do vulcão, a sombra da avenida...
A sombra da passarela...
a luz do poste me cega, a chuva apaga meu cigarro
A vida pulsa tímida...Poesia de criança...sem jeito, sem rima...
Sigo na sombra, [não é ruim!]


"Faíscas de estrelas, Poeira do firmamento"
"Grandes torres auriverdes, desfiladeiro dos trovões"

Ainda penso num soneto pra exaltar aquelas belezas que são só sombras, quietas, silenciosas, como a tempestade de verão que não carece de descrição...

É bela porque é quase inexistente, por que não faz sentido, porque não é coerente com os homens...Porque desafia a lógica... Tudo que é belo, não faz sentido algum....


Acendo outro cigarro... e sigo, silencioso, mente tranquila, nirvanáticamente tranquilo...
São só sombra, pedra e pó, não carece de descrição ou soneto elogioso...
Carece ser sentido, coisa que só nós que nascemos aqui, conseguimos fazer...

Chego em casa... Entorpecido...esqueço o que pensei...Esqueço o que senti...

Cito Bilac:
-E vamos aos sonetos!

Um comentário:

Danyel de Argolo Cardoso disse...

Gostei do post.

Foi uma boa continuação das odes à terra natal.