quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Esse tal de Natal...

Nunca teve apego às datas
Sempre achou que tudo não passa de um contrato coletivo para incentivar o consumismo
Aniversário, Páscoa, Dia das mães...
Até com aqueles que já bateram as botas, ainda tem que se gastar um dinheirinho
Mas esse tal de Natal o deixava intrigado
Resistiu, mas este ano quis experimentar o espírito natalino

Olhou para o relógio
4 da manhã
Pensou em chegar atrasado
Mas lembrou
Amanhã é Natal
Saiu do banho e ao perceber que tinha colocado a toalha molhada na cama...
Olhou para a mulher ainda adormecida
E pensou
Amanhã é Natal
Quis correr para conseguir um assento no metrô
Deixou que a multidão o ultrapassasse
E lembrou
Amanhã é Natal
Passou pelas ruas e foi solícito com as mãos ansiosas dos panfletistas
E lembrou
Amanhã é Natal
Deu um bom dia sincero aos colegas de trabalho
Abraçou o amigo que andava distante
Ajudou a senhora a atravessar a rua
Reparou no sorriso do menino dos malabares
Riu de si mesmo
Chegou em casa
Admirou a árvore pela janela
Estava feliz
Pensou que o Natal
Poderia ser todo dia...

Um comentário:

Danyel de Argolo Cardoso disse...

Sempre defendi isso e é uma idéia que se acentuou neste natal. Espírito Natalino é pura construção pequeno-burguesa para salvação de almas.

Se pregassemos toda essa bondade no cotidiano, seríamos muito melhores.