
O tempo é liquido
escorrendo entre suas coxas
Vazando pela cama, desembocando na rua
o dia está vazio, cinza.
O dia compôs um blues, um samba delirante
, outro dia talvez
mas esse, eu me perdi, afogado no tempo.
tua boca, apoteose, coliseu.
correnteza perene, imutável, livre e decassílaba
pavilhão vermelho e branco
Beijo, como que se fizesse um juramento: Não beijar mais nada além dela.
Mentira, claro...
Delega-me o dever de te dizer o que fazer.
abuso dele.
gosta.
Ventre, um quê de sagrado e profano
misticismo mais antigo que a cor do céu
que o gosto do mar.
O ventre é um deus.
dentro, desfaço-me em mil pedaços
como se cheirasse o pó das estrelas
tomasse ácido do firmamento
gosto, gosta, goza.
voa, salta, muda.
o tempo que escorre me carrega, me afogando na sua maré
Náufrago entre o branco de tuas coxas
semi-deus, semi-deusa, semi-nus, semeando.
O tempo é liquido, e tudo é vaporoso, derrete.
brisa, sussurro ao longe. Vastidão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário